A casa verde

casa abandonada editada

Não sei quem precisava mais de água: eu ou o carro. Passei por uma placa onde dizia “Você está entrando em Riacho Novo”, então acelerei sabendo que o posto de gasolina que eu procurava estava ficando perto. E estava mesmo. Menos de um quilômetro depois eu estava encostando o carro e pedindo para o frentista completar o tanque e colocar água no radiador. Em seguida, entrei na loja de conveniência e comprei uma garrafa de água mineral e um cartão telefônico.

Não havia ar condicionado na loja. A gordinha que me atendeu suava feito uma condenada. Do lado de fora estava um calor desgraçado, mas pelo menos estava ventando. Chamei o frentista e paguei pelo combustível. Ele acenou e me devolveu as chaves do carro.

Um menino bem magro andava de um lado para o outro, acompanhado de um cachorro vira-latas, e pedia esmola a todo mundo que passava. Quase todo mundo, quer dizer, porque de mim ele não chegou nem perto. Acho que teve medo, sei lá. Sempre me disseram que eu tinha cara de antipático.
Caminhei até o orelhão e fiz a primeira ligação do dia. A pessoa que atendeu não disse “alô”. Ficou calada esperando eu começar a falar.

– Sou eu.

– Eu sei que é você, Miguel. Não sou estúpido.

– Desculpe, senhor Freitas.

– Tudo bem, tudo bem – resmungou o velho. – Ainda bem que já está no posto. Você já chegou no posto, não foi?

– Sim, senhor.

– Ótimo. Faça o que tem que ser feito.

– Sim, senhor – falei, mas acho que ele desligou o telefone antes de me ouvir.

Dei os últimos goles em minha água mineral, voltei à loja de conveniência e comprei outra garrafa. O menino passou por mim, me olhou, mas não pediu dinheiro. Foi embora. O cachorro ficou zanzando pelo posto fuçando tudo que era lixo.

Voltei ao orelhão e fiz a segunda ligação do dia. Eram 11 da manhã quando Moura gritou “alô” do outro lado da linha. Parecia desesperado pelo meu telefonema.

– Estou no posto – falei.

– Finalmente – disse ele – Já estava preocupado.

– Você sabia que seria uma viagem longa.

– Como você está?

– Com calor – eu disse.

– Quero saber se está nervoso – e ele parecia mesmo preocupado.

– Não – e eu realmente não estava.

– Já falou com aquele filho da puta?

– Acabei de falar.

– Certo. Estou em uma pousada aqui no Centro. Se algo der errado, me ligue.

– Você está com a sua cópia do mapa? – perguntei.

– Claro. Agora, faça o que tem que ser feito. Boa sorte – e desligou o telefone.

“Faça o que tem que ser feito” era a ordem do dia. Porém, havia uma enorme diferença entre isso dito pelo Sr. Freitas e a mesma frase proferida por Moura.

Quando o Sr. Freitas disse “Faça o que tem que ser feito” ele queria que eu pegasse o carro e fosse até o lugar indicado por ele, uma cabana escondida no meio do mato, e resgatasse três capangas dele que haviam fugido da prisão, na noite anterior. Ele meu deu um mapa todo mal feito, que pensei que nunca iria conseguir decifrar.

Serviço rápido. Chegar à cabana, me apresentar de uma forma que não espantasse os sujeitos e transportá-los de forma segura para a cidade vizinha, onde eles teriam abrigo. Era minha primeira missão desde que eu tinha começado a fazer parte do círculo de capangas do Sr. Freitas. Isso fazia só um mês.

Já quando Moura disse “Faça o que tem que ser feito” significava: Conquiste a confiança do velho mafioso. Siga as ordens à risca e faça o serviço bem feito. Assim ele vai ficar satisfeito e nunca desconfiará que você é um policial disfarçado tentando juntar provas contra ele.

Até então, eu estava sendo um ótimo ator e havia convencido a bandidagem toda que fazia parte do esquema. E que esquema. Tráfico de drogas, prostituição e jogos eletrônicos ilegais.

As duas garrafas de água me deixaram com vontade de mijar. O banheiro era imundo e não havia sabonete nem toalhas. Não sei que milagre tinha água. Enxuguei as mãos na camisa e entrei no carro.

Segundo o mapa, eu teria que seguir pela interestadual por uns dois quilômetros após o posto e dobrar a esquerda, em uma estrada de barro. O ponto de referência era uma loja de artesanato que ficava logo na entrada.

Cheguei ao local indicado e dobrei a esquerda. A loja de artesanato era bem visível. Havia um monte de esculturas de barro. Patos, bois, galos e toda espécie de animais chamavam a atenção de qualquer um que passasse. Havia algumas carrancas também. Todas com as bocas abertas, mostrando os dentões e suas línguas imensas. Eu me lembro de ter pensado em comprar uma, quando estivesse voltando do serviço. Mas quando tudo terminou, eu havia esquecido completamente das carrancas.

Dirigi pela estrada de barro durante uma hora. Nos primeiros 30 minutos, de um lado e de outro, só mato seco. Havia pouquíssimas casas no caminho. Passei por dois ou três homens montados a cavalos. Depois a paisagem começou a ficar mais verde, mas não havia mais ninguém por perto. Os buracos também começaram a ficar maiores e havia grama crescendo pelo chão. Tive logo a impressão de que não passava um carro por ali há muito tempo.

A estrada terminava em uma mata. Não havia entrada, era mata fechada. Não me espantei, porque o Sr. Freitas havia me dito isso. Até mesmo porque se eu dependesse só das informações do mapa dele, estava fodido.
Coloquei uma jaqueta de couro, peguei a pistola e desci do carro. Um calor infernal e eu de jaqueta de couro. Mas era melhor ficar com calor do que me arranhar no meio do mato. Enfim, me enfiei no meio das plantas e segui caminhando com o maior cuidado possível.

Segundo a porra do mapa, há alguns metros dali havia uma trilha. Foi fácil achar o caminho. Era bem estreito, mas dava para caminhar sem muita dificuldade. Por causa das árvores, mesmo àquela hora do dia, estava um pouco escuro. Andei com a pistola nas mãos e olhando sempre para o chão. Sempre tive medo de cobras. Mas não vi cobra, nem pássaro, nem bicho nenhum. Alguns insetos faziam barulho e mais nada. A mata tinha um silêncio mórbido.

Após dez minutos, a trilha me levou até uma descida. Joguei a merda do mapa fora, pois já não precisava mais dele. Lá de cima eu já tinha avistado o casebre. Fiquei imaginando como aqueles três filhos da puta conseguiram chegar lá à noite e fugindo da polícia. Deviam estar todos arranhados e cansados pra caralho. Ou coisa pior.

Desci a pequena barreira e gritei. Gritei meu nome e o do Sr. Freitas. Ninguém respondeu. Cheguei mais perto e gritei de novo. Silêncio mais uma vez. Eu não queria chegar muito perto para não assustá-los, mas, como eles não davam sinal de vida, tive que caminhar até lá.

Reparei que a casa ficava numa espécie de “cratera”. Chamei pelos homens de novo e nada. Aparentemente eu estava nos fundos do casebre, então resolvi dar a volta. Notei que não havia janelas e as paredes eram de uma cor verde escuro. Parecido com lodo. O teto, meio arreado para a esquerda, parecia ser feito com palhas de coqueiro, mas também eram verdes. Uma casa tão antiga e desabitada deveria ter um telhado de palhas todo seco.

Quando cheguei à outra extremidade encontrei uma porta. Não havia fechadura nem trinca. Chamei de novo e nada. Já tinha quase certeza que não havia ninguém lá, então olhei por uma das frestas da porta.

Até onde minha visão alcançava, vi um deles. O cara estava sentado no chão, ao lado direito, encostado na parede e com as pernas esticadas. Chamei-o pela fresta. Ela sacudiu a cabeça como se tivesse acabado de acordar e virou-se lentamente em minha direção.

Falei meu nome e disse que estava ali a mando do Sr. Freitas. Ele arregalou os olhos e fez um sinal negativo com a cabeça. Não entendi aquela reação dele. Achei que ele estava ferido e resolvi entrar.

Forcei a porta, mas ela abriu facilmente. Vi os outros dois no outro lado do casebre. Um estava deitado de bruços e o outro estava sentado, também encostado na parede, mas com as pernas dobradas. Pareciam estar desacordados.

– Não – sussurrou o único consciente. – Eu disse para você não entrar.

Ouvi um barulho de madeira estalando e me virei. A porta da cabana estava se mexendo sozinha e todas as suas frestas se fechando. As palhas do telhado começaram a ser curvar e todas as entradas de luz se fecharam. Apontei a pistola para todos os lados, instintivamente, mas não sabia em que atirar. O interior do casebre ficou um pouco escuro. Apenas alguns raios de luz passavam por uma única fresta que havia ficado embaixo de onde havia a porta.

Olhei para o cara sentado no chão e ele estava chorando.

Caminhei até a entrada da casa e chutei a porta com toda minha força. Parecia que eu havia chutado um tronco de uma árvore, ao invés de um pedaço de madeira velha e podre. Caí sentado achando que tinha quebrado o pé.

– Não – gritou o cara sentado. – Saia do chão. Levante-se, rápido.

– Meu pé está doendo – argumentei.

– Levante – gritou de novo. Parecia desesperado.

Fiquei de pé novamente, mas não por causa do pedido do cara. Eu me levantei e fui até a porta, tentando abri-la de novo. Uma porta que havia se mexido como se estivesse viva. Procurei algum ponto onde a madeira estivesse solta e nada.

Eu me deitei e tentei passar a mão pela única fresta aberta. O cara lá trás gritou de novo para eu sair do chão. O espaço era muito pequeno. Levantei de novo e percorri todos os cantos do casebre atrás de um lugar que eu pudesse quebrar.

A casa era um cômodo só. E todas as partes da parede eram extremamente duras como a porta. Passei ao lado dos outros dois sujeitos e vi que havia uma poça de sangue e um pedaço de pano ao lado da cabeça daquele que estava deitado. O outro homem estava com os olhos fechados e a boca aberta. Nenhum dos dois respirava.

– Que merda aconteceu aqui? Que merda está acontecendo aqui? – perguntei.

– Foi a casa – respondeu ele. – A casa os matou e vai matar a gente.

– Qual o seu nome? – perguntei, me aproximando.

– João – seus olhos estavam com as pupilas dilatadas e sua boca ressecada.

– O que você quis dizer com “a casa os matou”?

– Minhas pernas – disse ele, olhando para baixo.

Olhei de perto e vi que escorria sangue das suas pernas.

– Você se cortou? – perguntei tocando em sua coxa direita.

Ele gemeu. A calça estava rasgada na parte de trás e a carne dele estava grudada ao chão. Um visgo verde saia do assoalho e envolvia a carne da sua perna. Na verdade todas as partes do seu corpo que estavam tocando no chão ou na parede da cabana estavam sendo corroída pelo visgo. Ergui-me assustado e enojado. Ele voltou a chorar.

Caminhei até os outros dois. O que estava sentado do outro lado estava em uma condição pior que a de João. Havia linhas verdes escuras espalhadas pelo seu corpo. O visgo estava dentro dele. As linhas se mexiam lentamente por baixo de sua pele. Mesmo sem muita luz, dava para ver.

O sujeito caído no chão apresentava um estado ainda mais lastimável. Seus braços estavam todos derretidos e mais da metade da sua cabeça havia sido engolida pelo fluido que brotava do assoalho.

Eu me abaixei e toquei no chão. Até então não havia percebido, mas todo o solo do casebre estava coberto por aquela espécie de piche. Olhei para João e ele me encarou. Depois olhei para a porta. Não havia mais porta. Tudo era apenas uma junção de quatro paredes.

– Preciso saber o que está acontecendo – falei.

A história que João me contou, entre uma tossida e outra, não esclareceu muita coisa sobre o que estava havendo naquela cabana. Mas eu não poderia exigir muito de um homem naquelas condições.

Os nomes dos outros dois eram Chico e Manoel. Eles escaparam por volta das 10 da noite quando um guarda, que havia sido subornado, facilitou a fuga. Assim como eu, eles também tinham um mapa. Perguntei onde estava, mas João me disse que havia jogado fora antes de entrar na casa.

Na fuga, Chico feriu-se em um galho de árvore e teve um corte fundo no rosto. Manoel rasgou uma parte de sua camisa e fez um curativo improvisado.

Depois de uma hora, eles encontraram o lugar. João disse que não viu direito, por causa da escuridão, mas acha que aconteceu a mesma coisa quando eles entraram. A casa se mexeu e os prendeu lá dentro. Tentaram por muito tempo achar uma saída, mas se cansaram e dormiram.

João disse que acordou e viu seus amigos imóveis. Quando tentou se levantar, notou que estava preso ao assoalho e à parede. Disse que ardia muito no início, mas agora não sentia mais nada. Linhas verdes apareceram em seu pescoço enquanto ele me contava essa história, mas não tive coragem de contar para ele.

Meus pés começaram a formigar. Achei que fosse cansaço, mas depois tive medo de que fosse algum efeito daquele líquido que cobria o chão. Aquilo era como uma espécie de ácido. Como se a casa fosse, sei lá, uma planta carnívora.

Chico era o que estava deitado. Sua cabeça já havia sumido em meio a um caldo marrom. Uma mistura de sangue e visgo. Tinha também um pó branco em algumas partes da poça. Não posso afirmar, mas pareceu ser os ossos dos crânios esfarelados.

O corpo de Manoel parecia estar sendo sugado para dentro da parede. Estava cada vez mais fino. Os dois já estavam começando a feder. Imaginei que logo João estaria assim.

– Como vocês chegaram aqui no escuro? – perguntei.

– Aqui. Meu bolso esquerdo. Esqueci de avisar.

Uma pequena lanterna. Acendi e passei a luz por dentro do cômodo. As paredes e o teto se mexiam lentamente. Não dava para sentir, nem ouvir. Mas dava para ver. Era um movimento bem devagar, mas era visível. As linhas verdes balançando de um lado para o outro. Às vezes se entrelaçavam. Aquele líquido pegajoso escorria pelas paredes.

Meus pés começaram a arder. Levantei a sola do pé esquerdo em minha direção e o iluminei com a lanterna. O solado dos meus sapatos havia derretido. Entrei em pânico. Tirei a camisa, joguei-a no chão e fiquei em cima dela. Estava acontecendo comigo. Eu estava sendo “digerido”

– João – gritei, iluminando seu rosto com a lanterna.

Os fios verdes estavam espalhados pelo seu rosto. A boca aberta e o corpo imóvel, igual ao seu parceiro. Era o fim para ele.

O medo de passar por aquele sofrimento tomou conta de mim de uma forma que eu nunca pensei que algum sentimento fosse me dominar.

Foi justamente nessa hora que a lanterna apagou. Sacolejei-a, mas não adiantou. Olhei o relógio. Quase 5 da tarde. O sol estava se ponto e o único feixe de luz que iluminava parcialmente o lugar havia sumido.

Saquei a pistola e disparei em direção ao local onde antes havia uma porta. Algumas balas entraram na madeira, mas não a ultrapassaram. Outras ricochetearam. Uma voltou e atingiu meu joelho esquerdo. Soltei a pistola e caí para trás me contorcendo de dor. Em 12 anos de profissão eu nunca havia tomado um tiro. E não poderia ter acontecido em pior hora. Gritei como nunca. Doía pra caralho.

Tentei me manter em pé, até consegui por alguns segundos, mas foi impossível aguentar mais. A vista escureceu e senti meu corpo caindo para trás. Apaguei antes de bater no chão.

Sonhei com rosto conhecidos. Todos cobertos com um líquido verde.

Acordei e tudo estava escuro. Meu corpo, assim como os dos outros três homens, estava grudado no chão. Meu joelho doía muito. Eu não sentia mais a perna.

Achei que não ia conseguir rastejar, mas consegui. Se bem que parte da pele das minhas costas e dos meus braços ficou colada no assoalho. Assim como o couro cabeludo da minha nuca.

Fui até onde estava a minha camisa. Era inútil vesti-la agora, então a deixei forrada no chão e me sentei em cima dela. Olhei para o relógio, mas não consegui ver que horas eram. Minha pistola estava ao lado. Trouxe-a para perto de mim. Estiquei a perna ferida, dobrei a outra e apoiei a cabeça no joelho bom. Mais uma vez apaguei.

O mundo era verde. Linhas verdes passavam pelo céu e se cruzavam por entre as nuvens. O sol era uma grande flor vermelha.

Ouvi o som de passos e acordei. Estava claro de novo. Todas as frestas estavam abertas de novo. A luz entrava pelo teto e pela porta. Sim, a porta estava lá de novo. E havia alguém por trás dela. Alguém que chamou meu nome. Eu não consegui responder ao Sr. Freitas. Minha boca estava seca e minha garganta doía.

Ele finalmente abriu a porta e sorriu quando nos viu.

– Eu fodi você, Miguel. Fodi você e esses três inúteis.

Não havia mais os outros corpos. Apenas uma mistura de panos e carne derretida. O cheiro era insuportável. Sr. Freitas estava parado, segurando uma bengala de madeira com as duas mãos.

– Pensou que não fosse descobrir? Tenho amigos na polícia.

Eu já estava completamente consciente, mesmo com a dor que estava sentindo.

– E esses três – ele usou a bengala para apontar um por um. – já me roubaram tantas vezes que nem saberia dizer quanto dinheiro me tomaram.

Arrastei a pistola para o meu lado.

– A minha casinha – disse o velho, olhando para cima. – Meu matadouro. Ela me livra dos inconvenientes sem deixar pistas.

Pelas minhas contas ainda restavam duas balas. Eu não poderia errar.

– Foi herança de família, sabia?

Um tiro certeiro. A bala partiu a bengala e acertou o saco do velho. Ele tombou para frente e caiu dentro da casa, mas suas pernas ficaram do lado de fora. A porta se mexeu, igual como fez comigo, mas não conseguiu se fechar. O corpo do velho a impedia. O safado gritou e tentou se levantar. Dei um tiro na cabeça e ele parou de se mexer.

Ouvi outros passou. Pensei que fosse um capanga do velho então apontei a arma para a porta.

Moura apareceu na entrada e eu abaixei a pistola. Ele fez menção de entrar e eu apontei a arma para ele de novo. Ele recuou espantado. Rastejei pelo assoalho. A porta não se mexia mais.

– Deixe eu te pegar – disse Moura, novamente tentando entrar na casa.

– Não, porra – gritei, de novo, com a arma em sua direção.

Dessa vez ele deu dois passos para trás e ficou observando meu sacrifício. Era como se a casa soubesse que eu estava escapando. O visgo estava ficando cada vez mais grosso e mais e mais escorria pelas paredes.

Enfim cheguei à saída. Passei por cima do corpo do velho e fiz sinal para que Moura, enfim, me ajudasse.

– Você não deu mais sinal de vida, então vim te procurar – falou afobado.

– Pegue o velho. Mas não entre na casa.

– Você apontou a arma para mim – queixou-se.

Deixei o pente vazio cair para ele ver que não havia mais balas. Moura puxou o corpo do Sr. Freitas pelas pernas. A porta se fechou com uma força incrível e a cabana não se mexeu mais.

Demorou meses para eu receber alta e meu joelho nunca mais foi o mesmo. Tive, inclusive, que me aposentar da polícia.

Abafamos a história, mas eu pensei naquela casa todos os dias em que estive internado. Tive sonhos terríveis. Por isso a primeira coisa que fiz quando recebi alta foi voltar lá.

Ela estava do mesmo jeito. Não abri a porta para ver se ela havia feito novas vítimas. Apenas despejei os galões de gasolina que havia levado e ateei fogo nela. Não sei o que era aquela cabana, mas uma coisa daquelas não poderia continuar viva.

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