Glossário – Histórias que nos Sangram

A proposta do livro “Histórias que nos Sangram” (Editora Multifoco) é dar novas versões às lendas do Recife, associando com o período histórico em que surgiram. Para isso eu citei vários fatos da história da cidade nos sete contos que integram o livro. Alguns leitores passaram batidos em alguns fatos e outros nem se ligaram. Como essas informações são de vital importância para se entender totalmente as histórias, eu resolvi fazer um pequeno Glossário, explicando algumas coisas do livro.

Glossário – Histórias que nos Sangram

Sua Cabeça Como um Troféu

Pág. 16 e 17

A cabeça a qual Lima se refere é de Zumbi dos Palmares. Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1694, teve a cabeça cortada, salgada e levada, com o pênis dentro da boca, ao governador Melo e Castro. Em Recife, a cabeça foi exposta no pátio do Carmo, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da sua imortalidade.

Pág. 20

O Mal da Bicha citado foi a primeira manifestação de febre amarela no Brasil. Começou no porto do Recife em 1685.

Quem Ama Não Tem Coração

Pág. 35

Lugarú é um termo que é uma corruptela da palavra francesa loup-garou. Essa lenda se estende pelas ilhas do Caribe. Dizem que para prevenir que o lugarú entre ou saia de um local é só colocar areia na porta. E que se algum bruxo jogar um feitiço nele e matar um cão, ele é obrigada a contar todos os pelos do animal.

Alamoa é descrita como um duende feminino que aparece principalmente na ilha Fernando de Noronha. É uma mulher branca, loura, nua, tentando os pescadores ou caminhantes retardados. Transforma-se num esqueleto, enlouquecendo o enamorado que a seguiu.

Pág. 37

A “sedição” a qual a mulher se refere é a Guerra dos Mascates. Na época em que se passa a história tal evento ainda não tinha essa dominação, era apenas chamado de sedição. A guerra só começou a ser chamada por esse nome em 1873, quando foi publicado o livro “A Guerra dos Mascates” de José de Alencar.

Os Dentes Dos Mortos

Obs: Essa história é baseada na lenda do fantasma conhecido como Boca de Ouro.

Pág. 42

A Casa dos Expostos era um abrigo para jovens de rua, fundado em 1789, e que ficava na rua da Roda, centro do Recife.

Pág. 43

Beco do Tambiá era onde funcionava o baixo meretrício da cidade na época em que se passa a história. Ficava onde hoje é a Manoel Borba.

Pág. 45

O cemitério dos estrangeiros em questão é o cemitério dos ingleses.

Pág. 47

O Lazareto de Santo Amaro era o local onde ficavam de quarentena os escravos recém-chegados da África.

Pág. 48

A revolução citada é a Revolução Pernambucana de 1817.

Pág. 53

A construção de pedra citada é onde fica a Cruz do Patrão.

Onde As Almas Esperam Sua Vez

Pág. 56

A frase citada por Assis era o grito de guerra dos amotinados da Setembrizada. “Fora os colunas! Fora o castigo de espada! Fora o brigadeiro! Fora os marinheiros! Viva o Sr. D. Pedro Segundo! Vivam os brasileiros!”

Pág. 62

O massacre citado na conversa entre Padre Alfredo e Adelaide, e que permeia toda a história, é conhecido como A Setembrizada. Tropas militares amotinadas em favor de D. Pedro II estavam fazendo arruaça na cidade e houve uma reação deixando um saldo de muitos mortos. Os cadáveres foram levados para as terras do Modengo, onde hoje fica a praça Chora Menino.

Pág. 68

A frase: “Tem cautela, Rego. Não passes do Mondego”, dita por Assis, é um fato histórico do local. Essa frase foi escrita em um muro em 1817 para avisar ao então governador de Pernambuco, Luís do Rego Barreto, que ele sofreria um atentado no Modengo.

Eu Levo Comigo Apenas o Que Mereço

Pág. 73

Os Lunas citados no início da história e o fato deles terem morado no Sobrado Estrela atrás de uma botija de ouro são verídicos.

Pág. 74

Na segunda metade do século 19, houve uma epidemia de cólera-morbo em Recife que durou 7 anos.

Fome

Pág. 88

O Doutor Dornela existiu de verdade. Era um grande médico, mas pelo fato de ser negro, era desprezado pelas pessoas da alta sociedade.

A Lua Cobra Seu Preço

Pág. 104

O bacharelzinho citado por Firmino foi um homem que morou no bairro do Poço da Panela. Devido a sua palidez, por conta de uma grave anemia, a população local dizia que ele era um lobisomem.

A mulher negra citada por Cícero também é uma antiga moradora do Poço da Panela, chamada de Josefina Minha Fé, e que contava ter sido vítima de um ataque de Lobisomem pelas ruas do bairro, certa vez.

Observação final:

A foto que ilustra a capa do livro é de um prédio ao lado do Burburinho. Os boêmios que passarem por lá podem dar uma olhada.

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Uma resposta para Glossário – Histórias que nos Sangram

  1. Oi, Geraldo ^~

    CAra, estou aqui para elogiar seu Histórias que Nos Sangram.

    Acho que os quatro primeiros contos careciam de + 1 ou 2 páginas, para poderem ficar melhor ‘finalizados’, eu diria… fiquei com a impressão que os fatos explicativos não ficaram muito ligados, a explicação ficou ‘sutil’ demais, entende? ^^

    Mas quanto aos outros quatro últimos… ADOREI cada um deles!!!

    CARAMBA, P.E.R.F.E.I.T.O.S.!!

    Sincronia super azeitada entre a narração dos fatos; descrição dos personagens, suas limitações e motivações; a pesquisa histórica (acontecimentos/locais/pessoas verídicas) costurando tudo!

    Dava para acompanhar, sentir, cada batida descompassada de coração dos personagens, suas inquietações, suas próprias compreensões do medo e da morte.

    PUTZ!

    Ele REALMENTE me deu medo. E novamente: EU AMEI. *______________*

    Virei sua fã.

    Obrigada!!!

    Illyana HimuraWakai
    illyana.himura@gmail.com
    @IllychanHimuraW

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