As Agruras do Homem Peixe

Aviso: Os textos dessa coluna podem ser ofensivos a crenças religiosas, partidos políticos, gosto musical, estilos de vida… quer dizer: podem não. Eles são.

Felizmente, a intenção da minha mãe quando me colocou para estudar em um colégio de freiras não era que eu tivesse uma educação católica. Eu fui estudar no colégio Santa Catarina, onde fiquei até meus 14 anos, por que ele era considerado um bom colégio e ficava próximo à minha casa.

Enfim, eu disse que felizmente não era a intenção dela que eu seguisse o cristianismo, por que de nada adiantou mais de uma década sendo educado por freiras Savianas.

Desde aquela época freiras, madres, irmãs, e até beatas, me dão agonias. Pelos menos as do colégio Santa Catarina eram verdadeiros monstros. E além de tudo, conventos me dão calafrios. Pra mim é o cenário perfeito para um filme de terror.

Fiz minha primeira comunhão a pulso. Odiava ia para as aulas preparatórias. Me ensinaram umas orações que não me lembro mais, um sinal bem mais complicado do que o da cruz (que eu nunca acertava fazer), ou seja, as aulas não serviram para pica nenhuma. Se eu aprendi alguma coisa na época, esqueci uma semana depois.

E pra completar, no grande dia, eu estava com sono (era domingo de manhã), minha calça de linho pinicava a bunda e eu estava nervoso por que a capela estava cheia de gente, e ainda tinha que carregar uma vela que pingava cera na mão da gente.

Deus havia de me perdoar por desistir, mas a porra da freira responsável pelo sacramento da eucaristia me apontou o dedo na cara e disse “vai e não reclama”. Pronto, no auge dos meus 10 anos de idade queria que toda a Igreja Católica, de Jerusalém até o Vaticano, tomasse no olho do cu.

Ah, e as musiquinhas de manhã cedo? O guri chegava com um sono do cacete e tinha que ficar de pé em uma fila cantando e fazendo coreografia. “Derrama senhor. Derrama senhor. Derrama sobre ele o teu amor”.

Passado isso, entramos na adolescência. Só que tudo no maldito colégio era proibido. Beijar, andar de mãos dadas, abraçar? Sala da diretora e carta para os pais.

E a pior parte: sempre obrigavam a gente a ir para a capela, por qualquer motivo. O professor da última aula faltou, a gente pode ir para casa? Não. Todo mundo para capela rezar. Faltou luz, tá calor na sala sem ventilador, a gente pode ficar no pátio? Não. Todo mundo para capela rezar. A gente pode jogar futebol depois da aula de Educação Física? Não. Todo mundo para capela rezar.

Pode parecer implicância, mas aquele método educacional não levava a porra nenhuma. O Santa Catarina foi um dos maiores formadores de marginais e putas do bairro de Casa Amarela. Sabe aquele cara que matou o capoeirista no parque da Jaqueira (Saiu no Linha Direta e tudo)? Pronto, estudou lá. Teve o Pai Nosso enfiado goela abaixo quase todo santo dia e serviu pra quê?

Posso até ir para o inferno por ter comungado de má vontade ou ter escrito esse texto, mas, se Deus for justo, as freiras do Santa Catarina vão também.

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